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Wednesday, January 05, 2011



Plataforma de Acção Fotográfica consiste em acções e diversificados programas de fotografia, integrados em contextos sociais que acusam assinalados níveis referenciais de pobreza e/ou de exclusão sociocultural ,utilizando a  fotografia como um válido instrumento de inclusão social.
 Ao estar em condições de exclusão significa estar fora do contexto social, cultural, político e económico, por isso, acreditamos na  extrema importância da implementação de políticas públicas que estimulem a participação dos que fazem parte deste grupo, sendo que uma das formas mais felizes de estimular essa participação activa destes grupos visando a inclusão social, sem dúvida seja através da  arte.
A arte não erradica a pobreza mas pode devolver dignidade e confiança às pessoas.
A arte é sem dúvida uma ferramenta poderosa que pode transformar vidas , tanto as que quem cria como as de quem observa e, esta é  inegavelmente uma ferramenta extremamente válida e útil no que diz respeito à  inclusão social, pois permite a integração num projecto; num grupo.
E entende estes mesmos elementos como absolutamente fundamentais no desenvolvimento do mesmo, permitindo-lhe um protagonismo que eventualmente nunca terão tido, mas ao qual também terão todo o direito.
A arte pode contribuir para o respeito como individuo, para a construção de uma comunidade que acredita no potencial de cada criança, adolescente, jovem e adulto para um  estreitamento de laços na comunidade.
Permite também que estes indivíduos percebam que também estes poderão construir um mundo melhor, pensando globalmente  mas agindo localmente.

Thursday, December 23, 2010

Friday, December 17, 2010

"Le déjeuner sur l´herbe" de Cátia Cóias,pode ser  visto na Rua Garret nº72,todos os dias das 10h as 21h.
Apareçam!













“Se, por um daqueles artifícios cómodos, pelos quais simplificamos a realidade com o fito de a compreender, quisermos resumir numa síndroma o mal superior português, diremos que esse mal consiste no provincianismo. O facto é triste, mas não nos é peculiar. De igual doença enfermam muitos outros países, que se consideram civilizantes com orgulho e erro.
O provincianismo consiste em pertencer a uma civilização sem tomar parte no desenvolvimento superior dela - em segui-la pois mimeticamente, com uma subordinação inconsciente e feliz.

A síndroma provinciana compreende, pelo menos, três sintomas flagrantes: o entusiasmo e admiração pelos grandes meios e pelas grandes cidades; o entusiasmo e admiração pelo progresso e pela modernidade; e, na esfera mental superior, a incapacidade de ironia.
Se há característico que imediatamente distinga o provinciano, é a admiração pelos grandes meios. Um parisiense não admira Paris; gosta de Paris. Como há-de admirar aquilo que é parte dele? Ninguém se admira a si mesmo, salvo um paranóico com o delírio das grandezas. Recordo-me de que uma vez nos tempos do Orpheu, disse a Mário de Sá-Carneiro: «Você é europeu e civilizado, salvo em uma coisa, e nessa você é vítima da sua educação portuguesa. Você admira Paris, admira as grandes cidades. Se você tivesse sido educado no estrangeiro, e sob o influxo de uma grande cultura europeia, como eu, não daria pelas grandes cidades. Estavam todas dentro de si”

PESSOA,Fernando.1928.O caso mental Português

“Le déjeuner sur l´herbe”/” O Almoço sobre a Relva” ,terá sido uma das mais emblemáticas obras de Édouard Manet .
Despojada de qualquer tipo de tipo de teor crítico–social (apesar de várias teorias indicarem o contrário, sendo por exemplo o tema da “mulher dominante” como o mais significativo), Manet assume-a no entanto apenas como um manifesto estético da arte moderna.
Seja pela ausência crítica , seja pelo tema abordado: a boémia, as actividades sociais, a sensualidade…etc, sempre rebati esta obra para o imaginário português, no auge da sua total resiliência: o casamento entre o superficial e o supérfluo, o banquete colectivo seja este de ordem política, económica ou muito simplesmente material, o provincianismo citadino, a ignorância e a indiferença….em suma, os brandos e provincianos costumes, alheios às nódoas de gordura caído de forma desleixada e desinteressada sobre uma vulgar toalha vermelha de pic-nic.

Friday, December 10, 2010

"Le déjeuner sur l´herbe",inaugura dia 15 Dezembro/Quarta-feira às 19h:inserido no Festival Internacional de Cultura Urbana:Rua Garret nº72.
Apareçam!



(tea is almost served...)




Sunday, December 05, 2010

«Se, por um daqueles artifícios cómodos, pelos quais simplificamos a rea­lidade com o fito de a compreender, quisermos resumir numa síndroma o mal superior português, diremos que esse mal consiste no provincianismo. O facto é triste, mas não nos é peculiar. De igual doença enfermam muitos outros paí­ses, que se consideram civilizantes com orgulho e erro.
O provincianismo consiste em pertencer a uma civilização sem tomar parte no desenvolvimento superior dela - em segui-la pois mimeticamente, com uma subordinação inconsciente e feliz.

A síndroma provinciana compreende, pelo menos, três sintomas flagran­tes: o entusiasmo e admiração pelos grandes meios e pelas grandes cidades; o entusiasmo e admiração pelo progresso e pela modernidade; e, na esfera men­tal superior, a incapacidade de ironia.
Se há característico que imediatamente distinga o provinciano, é a admi­ração pelos grandes meios. Um parisiense não admira Paris; gosta de Paris. Como há-de admirar aquilo que é parte dele? Ninguém se admira a si mesmo, salvo um paranóico com o delírio das grandezas. Recordo-me de que uma vez nos tempos do Orpheu, disse a Mário de Sá-Carneiro: «Você é europeu e civi­lizado, salvo em uma coisa, e nessa você é vítima da sua educação portuguesa. Você admira Paris, admira as grandes cidades. Se você tivesse sido educado no estrangeiro, e sob o influxo de uma grande cultura europeia, como eu, não da­ria pelas grandes cidades. Estavam todas dentro de si».O amor ao progresso e ao moderno é a outra forma do mesmo caracterís­tico provinciano. Os civilizados criam o progresso, criam a moda, criam a modernidade; por isso lhes não atribuem importância de maior. Ninguém atribui importância ao que produz. Quem não produz é que admira a produção. Diga-se incidentalmente: é esta uma das explicações do socialismo. Se alguma tendência têm os criadores de civilização, é a de não repararem bem na importância do que criam. O Infante D. Henrique, com ser o mais sistemático de to­dos os criadores de civilização, não viu contudo que prodígio estava criando ­toda a civilização transoceânica moderna, embora com consequências abominá­veis, como a existência dos Estados Unidos. Dante adorava Virgílio como um exemplar e uma estrela, nunca sonharia em comparar-se com ele; nada há, toda­via, mais certo que o ser a Divina Comédia superior à Eneida. O provinciano, porém, pasma do que não fez, precisamente porque o não fez; e orgulha-se de sentir esse pasmo. Se assim não sentisse, não seria provinciano

"O caso mental Português", Fernando Pessoa,1928

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Garbage illuminates habitus. In other words, trash reveals implicit, tacit, or otherwise obscured behaviors.

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