Já te questionaste concerteza várias vezes qual a razão da minha angústia,pois sim,eu respondo:são as paredes,as portas,os vãos,as janelas,as varandas,os parapeitos e as mesas,o carro para pagar,os cartões de crédito,os empregos efectivos,as rendas,as obrigatoriedades e as responsabilidades.Os ângulos rectos e tudo o mais que bloqueie o nosso fluxo normal de sangue que nos(me) oprime,nos(me) prende os tendões e os músculos do corpo,nos(me) bloqueia as artérias,nos(me) tolda a visão e nos(me) moldam os movimentos através de rédeas curtas,nos(me) põem e tiram o pão da boca,nos(me) fazem engolir em seco cada acordar(?) maquinal,perdão matinal.No nosso segundo acordar já estamos nós de fato macaco a engordar essas grandes máquinas oleosas de fazer dinheiro,enquanto a nossa vai gradualmente oxidando,fraquejando,esgotando em si o seu óleo vital e preciso,em tempos idos-transparente-,diminuida e serva desta maquinaçâo diabólica que atingiu porporções desmesuradas a que se chama relação amo-servo.
Nunca to disse.Nunca to apercebeste.Mas era por isto que engolia em seco.Estes cumprimentos quotidianos tiram-me o fôlego.São agulhas nos meus calcanhares,mãos e pernas.Incham-me o coração porque não posso gritar e,transformam em azul o rosa dos meus lábios.
Não me deixam.Não consigo.Não quero viver em semelhante estado de hipocrisia:lojas,cinema,centros comerciais,escapadinhas de fim de semana,avenidas,televisão,rádio,jornais,revistas,cafés:é tudo lixo para os meus ouvidos.é tudo lixo para a minha visão nestas circunstancias,felizmente míope,se bem que se vê com o coração e não com a visão.
Mas tudo se aprende.inclusivemente a abandonar definitivamente o campo de batalha,num recolher discreto,consciente e sensato,mas nunca obrigatório.ou isso ou assumir oficialmente de vez que isto tudo me faz mal ao estômago.ou tomar um rennie e fingir que já passou.